Já estava desacostumado e desequilibrado com a postura ereta digna de seu táxon primata, de forma que tropeçava em cangas e se debruçava em bundas bronzeadas durante esta bizarra maratona. Após derrubar 3 guarda-sóis, jogar areia no rosto de duas crianças, pisar na cauda de um cachorro e capotar um carrinho de sorvete, chegou enfim ao calçadão. Os banhistas já se organizavam espontaneamente eu uma espécie de turba revoltada, e Jaime corria perigo naquela praia.
Atravessou a avenida correndo, sem importar-se com as buzinas e os gritos de "Saí daí, seu imbecil!" Adentrou aquele concreto maravilhosamente cinza como se fosse o paraíso, atrás de estímulos inconfundíveis: cheiro de churrasco e Amado Batista tocando na jukebox.
Jaime havia enfim, encontrado o sagrado templo de todo homem semicivilizado como ele: um bar.
Entrou com a reverência de um beato, sob o olhar de todos os demais clientes. Sentou-se triunfante no balcão, levantou o dedo e disse:
- Uma Brahma!
Só aí se deu conta de que não teria como pagar nada, pois estava sem calças.
Ir para a casa da mãe pedir dinheiro