O Corredor da Morte

Os passos aproximavam-se cada vez mais, em uma velocidade angustiante. Jaime não aguentava mais tanta tensão, juntando coragem para balbuciar algumas palavras.

- Quem vem ai?

Silêncio absoluto. A única fonte de luz ofuscava sua visão, prejudicando identificar o ambiente. Porém, o medo de mergulhar naquelas trevas impedia-o de se mover.

- Sabe, tem um anão, eu acho, solto por aí... você também viu?

Ninguém respondia. Mas os passos recomeçaram.

- Ei, ei, amigo, me ajuda!

Os passos não paravam, mas mantinham a mesma velocidade cuidadosa.

- Não chegue perto, estou armado! 

Silêncio absoluto, mais uma vez.
Jaime podia ouvir seu coração batendo, e sentir o seu sangue pulsando em suas mãos e em seu pescoço. A adrenalina era tanta que ele parecia ouvir uma sirene imaginária percorrer sua mente rasgando todos os seus pensamentos.

De repente, os passos recomeçaram, tão perto, que um apavorado Jaime não teve alternativa senão andar para trás, afastando-se da luz da vigia da porta. E, de uma forma macabra, essa mesma luz agora revelava os contornos de um capuz que se movia de forma trêmula e fantasmagórica. Horrorizado, Jaime tropeçou e se apoiou na parede, acendendo uma luz vermelha de emergência.

A caveira ergueu sua fronte, e por um segundo Jaime pôde contemplar as trevas eternas do universo naquelas órbitas inexpressivas.

- Você não sabe do que os humanos são capazes! - vociferou ela, enquanto esticava seus braços e seus dedos tortos em direção a Jaime, que começou a gritar como uma menininha.

Nenhum pesadelo jamais se pareceu com aquilo, nenhum medo em sua vida havia despertado tantos sentimentos de uma vez. 

- Terríveis! Merecem morreeeeer!

E, abraçado à morte em um corredor escuro de um navio maldito, Jaime gritou eternamente, afogado em lágrimas desesperadas.


~ Fim ~