Jaime nunca foi um homem de fugir dos problemas, e não seria agora que envergonharia o seu clube de cinquentões motociclistas choppeiros. Na verdade, isso lhe lembrava que, realmente, era por isso que ele estava lá. Após uma estupenda briga de bar com um bando de moleques usando coletes e camisas de banda, ele se viu completamente bêbado, a pé e só. Alguns fragmentos do que acontecia depois disso, mais atrapalhavam do que ajudavam a formar uma história coerente, mas envolviam um grupo de idosos também alcoolizados retornando ao cruzeiro, e uma senhora avantajada rindo e o beijando.
Agora que se lembrava disso, algumas partes do seu corpo começavam a doer, fazendo coro com a ressaca física e moral.
A melhor opção, pensou Jaime, seria entrar na cabine de comando e tentar comunicação pelo rádio. Na verdade, ele esperava até mesmo encontrar algum tripulante lá. Jaime não estava familiarizado com a arquitetura de um cruzeiro de luxo, então tudo o que podia fazer era vagar pelos corredores até encontrar o lugar que procurava.
Em sua excursão aleatória, passou por camarotes revirados, balcões com copos ainda cheios e saguões destruídos pela fuga em massa. Em determinado momento, pensou ter escutado vagamente algum ruído humano, indistinguível entre um gemido ou uma risada. Vinha de dentro do navio, por um dos corredores de serviço.