Jaime Escobar acordou, e como de costume, espreguiçou-se, levantou-se rápida e distraidamente e bateu a cabeça no teto, causando grande estrondo. Também pudera, esqueceu-se de que estava em uma apertada cabine de navio. Um tanto atordoado, levantou-se com a mão na cabeça, acendeu a lâmpada, coçou a bunda e apertou o cinto.
Que lugar era aquele? Porque é que ele estava em um navio mesmo? A ressaca intensificada pela recente pancada na cabeça ecoava dolorosamente por sua mente, impedindo-o de encontrar uma resposta. Nenhuma das outras camas estava ocupada. Mas ao menos, seu par mocassim ainda estava lá.
Jaime abriu a porta, gerando um ranger metálico. No corredor deserto, só era possível escutar o oceano. O chão balançava, levando-o a apoiar-se nas paredes, agarrando os encanamentos expostos. Subiu uma escada vertical que dava acesso ao convés.
Com os olhos semicerrados pela claridade repentina, constatou, perplexo, que o navio estava aparentemente abandonado. Cacos de vidro, sapatos de salto alto, bandejas, mesas viradas, cadeiras e garrafas espalhavam-se por toda parte. Em uma rápida inspeção, percebeu que alguns botes salva-vidas haviam desaparecido; enquanto outros apresentavam-se tombados no convés, possivelmente devido a alguma tentativa falha de acionamento. A situação estava ficando cada vez mais desconfortável, mesmo para Jaime, um homem destemido.
O barulho estridente de aves cruzando o céu chamou-sua atenção, levando-o a virar-se. No horizonte, o contorno de uma ilha interrompia a linha azul do oceano. Jaime colocou seu Ray-Ban (que estava pendurado na gola de sua camisa de botão), coçou o farto bigode e decidiu que deveria tomar alguma atitude, pois centenas de pessoas haviam abandonado aquele cruzeiro de luxo por algum bom motivo.